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Entrevista _ O cientista político, Alberto Almeida fala sobre as eleições 2018

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O cientista político Alberto Carlos Almeida fala sobre as eleições 2018.

BBC News Brasil - No seu livro recém-lançado, você analisa indicadores eleitorais e sociais para afirmar que as eleições presidenciais no Brasil são previsíveis e reforçam o monopólio de PT e PSDB. O senhor acredita que este podeque este pode ser o caso do pleito deste ano, mesmo com Lula preso e o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, tão em baixa?
Almeida - Um forte indicador são as pesquisas já foram divulgadas e mostram o Lula liderando a corrida presidencial, mesmo preso. As pessoas podem até falar "ah, mas ele não vai ser candidato" - pode ser, mas isso é um sinal da força do PT. E essa liderança se dá graças ao Nordeste do país, o que reforça o padrão que eu demonstro no livro com base nas eleições de 2010 e 2014. O que falta é o PT ter um candidato para o lugar do Lula, e nessa hora o Nordeste vai olhar com todo carinho, pensar em programas como o Bolsa Família, como a vida deles melhorou nos anos do PT, etc.

O fato de as pesquisas mostrarem uma certa dificuldade do PSDB neste ano, não quer dizer que ela vá permanecer. A gente não pode esquecer que na eleição passada, o então candidato Aécio Neves passou a Marina Silva somente na quinta-feira antes da votação que ocorreu no domingo. O mesmo pode vir a acontecer com o Geraldo Alckmin, já que o PSDB tem uma máquina muito forte em São Paulo.


BBC News Brasil - Quer dizer que, depois de todos os escândalos de corrupção e da Lava Jato, nada mudou na cabeça do eleitor brasileiro?
Almeida - Não é que nada tenha mudado. Quando se fala do eleitor você está falando da procura, da demanda - o eleitor demanda mudança, e isso não é de hoje. Mas quando falamos de partido, falamos da oferta, e essa oferta no Brasil é "oligopolizada". Os recursos de campanha, recursos financeiros, tempo de televisão - tudo está muito concentrado no PT e PSDB, eles são muito fortes. A diferença entre eles e os competidores deles é muito grande.



BBC News Brasil - Com a recessão e os cortes de gastos públicos, muitas pessoas que haviam ascendido experimentaram retrocesso social. Como essa experiência se refletirá no voto?
Almeida - Eu tenho visto isso de forma muito direta. Há um apoio muito forte ao voto de oposição - e a oposição sendo o PT. Ou seja, na cabeça do eleitor funciona mais ou menos assim: "tiraram o PT e colocaram um governo que não está funcionando, então põe o PT de volta".

Essa intenção de voto no Lula mostra um pouco isso, e nas pesquisas você observa que há um favoritismo para o PT. Então, embora a crise tenha afetado figuras do partido, o saldo favorece a sigla nas eleições desse ano, as pesquisas mostram isso inclusive para o segundo turno. Aí, mesmo que você não tenha o Lula, que seja outro candidato, o partido tem uma máquina muito forte, por exemplo: o governo da Bahia, de Minas Gerais, que é o maior colégio eleitoral do país. Se somar Minas, Bahia, Maranhão, Piauí, dá um quarto do eleitorado brasileiro, sem contar todos os Estados do Nordeste.



BBC News Brasil - Com Lula preso, muitos de seus eleitores continuam sem candidato. Quem tende a "herdar" esses eleitores? Por quê?
Almeida - Na minha avaliação, esses eleitores devem ficar com PT porque o partido tem uma máquina muito forte. A gente pode até imaginar como vai ser essa dinâmica de lançamento de um candidato: eles vão anunciar quem vai ser, o ex-presidente deve enviar uma carta, que será lida, esse nome vai ser entrevistado e ter mídia forte durante algum tempo, a exposição midiática vai ser muito grande - e esse candidato pode crescer.


BBC News Brasil -Os grandes escândalos não arranharam a imagem de PT? E agora do PSDB? O eleitor não está ligando pra isso? Por quê?
 Almeida - Arranharam sim, se não tivessem arranhado, a eleição estaria ganha no primeiro turno. Ainda que se suponha um equilíbrio porque a imagem do PT está arranhada, a ascensão do Bolsonaro também por causa dessa imagem mais prejudicada - não fosse isso, o PT ganharia no primeiro no turno e o PSDB estaria mais à frente nas pesquisas, com muito mais solidez. Então os escândalos de corrupção estão sendo sentidos sim, e eles é que são responsáveis pelo cenário que estamos vendo antes das eleições e da campanha em si.

BBC News Brasil - No livro o senhor analisa indicadores para afirmar que um segundo turno sem PT e PSDB neste ano é possível, mas não provável. Por quê?
Almeida - Por causa das máquinas. Hoje a dificuldade maior é dizer se o PSDB vai. Mas eles têm uma máquina muito forte, um domínio político em cada Estado - agências de publicidade, diretores de entidades estatais, de hospitais - essa máquina fica ali esperando a eleição, e será ativada na campanha. O PSDB tem essa máquina muito forte principalmente em São Paulo. E o PT continua tendo uma máquina forte, como eu disse anteriormente. Nesse aspecto, podemos não ter nenhum novidade. A oferta é rígida, e limitada. E faz parte de uma construção, que leva tempo. PT e PSDB são grandes jogadores.

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