Quando se fala em envelhecer bem, sempre lembramos do coração, do cérebro, da alimentação, do sono e da musculação. Pouca gente olha para baixo, ali perto dos pés, onde fica a panturrilha, conhecida como batata da perna, e muitas vezes lembrada apenas por estética ou cãibras. Mas ela é uma estrutura decisiva para a circulação, para a autonomia e (pasmem!) cada vez mais, para a proteção do cérebro.
A panturrilha é conhecida como nosso “segundo coração” porque funciona como uma bomba. A cada passo, os músculos gastrocnêmio e sóleo se contraem e nos permitem ficar na ponta dos pés, movimento essencial para caminhada ou corrida. E são eles que ajudam a empurrar o sangue das pernas de volta ao coração. Quando ficamos muito tempo sentados, ou quando perdemos força nas pernas com a idade, essa bomba trabalha menos. O resultado pode aparecer como inchaço, sensação de peso, pior circulação e menor disposição para se movimentar. Em estudo publicado na Mayo Clinic Proceedings, foi observado que a função reduzida da bomba muscular da panturrilha esteve associada a maior mortalidade por todas as causas. Ou seja: esse músculo não é detalhe. Ele participa da engrenagem central da circulação.
Mas a importância das panturrilhas vai além das veias. Para levantar da cadeira, subir escadas, caminhar com segurança, atravessar a rua no tempo do semáforo ou evitar uma queda, precisamos de tornozelos fortes e panturrilhas ativas. Elas ajudam na propulsão, no equilíbrio e na estabilidade. Em outras palavras, são parte essencial da autonomia. Uma pessoa que perde força de panturrilha tende a caminhar mais devagar, cansar mais cedo e reduzir sua vida fora de casa. E, quando a pessoa sai menos, também perde convívio social, estímulo cognitivo e independência.
É aqui que o tema chega ao cérebro. Não devemos dizer que uma panturrilha forte, isoladamente, “previne demência”. A ciência não funciona assim. Mas, ela entra nesse circulo em que uma “coisa” vai puxando a outra: mais músculo, melhor circulação, mais capacidade de andar, mais exercício, menor risco de quedas, mais vida social e mais reserva física. Outro estudo, publicado na The Lancet, sobre prevenção, intervenção e cuidado em demência, estimou que cerca de 45% dos casos de demência poderiam ser prevenidos ou adiados ao enfrentar 14 fatores modificáveis ao longo da vida, como inatividade física e isolamento social.
Vida que segue...
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