Enamed: Lula sanciona lei que torna prova obrigatória para exercer medicina

O presidente Lula (PT) sancionou hoje (6) uma medida provisória que institui o Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) como requisito para o exercício da medicina no Brasil.

Como vai funcionar

O Enamed já era obrigatório para avaliar estudantes de medicina. Com a nova lei, o exame passa a ser necessário para obtenção do registro profissional. O aluno que não atingir a nota mínima de 60 pontos deverá realizar um novo teste até obter a certificação.

A nova regra passa a valer para os estudantes que ingressaram nos cursos a partir de 19 de junho de 2026. Quem já estava matriculado antes dessa data continuará submetido às regras anteriores, assim como médicos que já têm diploma reconhecido. O exame será aplicado semestralmente a partir de 2027

Lula defende responsabilidade fiscal e sinaliza ajuste nas contas públicas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nessa quinta-feira, a responsabilidade fiscal e a segurança jurídica como condições para atrair investimentos ao país. "Temos de ter uma economia arrumada, visto que ninguém investe em um cenário desordenado. É preciso provar a quem votou que valeu a pena a mobilização do povo nas ruas, nas redes e o esforço dos idosos para apoiar um projeto que devolve a dignidade ao Brasil", declarou, durante a 1ª reunião do Conselho para Industrialização de Minerais Críticos. 

De acordo com Lula, para atrair capital, é preciso seriedade. "As pessoas vão colocar dinheiro aqui se perceberem que os investimentos delas vão criar o benefício para os objetivos delas e, ao mesmo tempo, gerar retorno financeiro para os seus investimentos", frisou. "É por isso que temos que ter responsabilidade jurídica, é por isso que temos que ter responsabilidade fiscal e é por isso que a gente não pode brincar de fazer parcerias."

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Campanha aberta no Senado: Alcolumbre acena à oposição, enquanto Marinho e Tereza buscam traições no Centrão

Em uma campanha que já começou com troca de farpas, Davi Alcolumbre (União-AP), Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) intensificaram as articulações para conquistar votos fora de suas bases para a presidência do Senado. Enquanto o atual presidente da Casa negocia relatorias, comissões e espaços de influência para atrair a oposição, Marinho tenta avançar em negociações para além do PL. Tereza, por sua vez, aposta no trânsito entre parlamentares do Centrão para conquistar dissidentes de partidos alinhados à reeleição de Alcolumbre.

Apesar de disputarem parte dos mesmos votos, Marinho e Tereza evitam um confronto direto que favoreça Alcolumbre. Os dois mantêm suas candidaturas, mas pretendem comparar suas contagens em janeiro para decidir quem permanecerá na corrida como representante da oposição. 

Após as eleições, Alcolumbre passou a explorar a força do cargo para ampliar sua capacidade de negociação. A aprovação da PEC da Segurança Pública e o avanço das discussões sobre o fim da escala 6x1, prioridades do governo Lula, foram incorporados à estratégia de demonstrar influência sobre a agenda legislativa. Ao mesmo tempo, o senador procura preservar canais com a direita e reduzir resistências à sua recondução. 

A federação União-PP, o MDB, o PSD e o PSB somam 26 senadores na composição projetada para fevereiro. Com os 11 integrantes da federação do PT, o grupo chega a 37 cadeiras. Aliados de Alcolumbre estimam ter 48 votos, número considerado inflado pelos adversários. Como a eleição é secreta, o apoio das direções partidárias não garante a adesão integral das bancadas.

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Selic mantida. BC sabota o resultado das urnas

Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 13,75% ao ano. A decisão surpreendeu o mercado financeiro, que esperava um corte de 0,25 ponto percentual.

A Força Sindical criticou a manutenção da Selic. “Ao manter a Taxa Básica de juros em 13,75%, uma das maiores do mundo, os membros do Banco Central sabotam a economia brasileira e incentivam uma verdadeira extorsão financeira no País. É uma medida irracional, nefasta para o setor produtivo e desastrosa para os trabalhadores(as). E mais: haverá drástica redução de investimentos no ano que vem, devido aos juros em patamares estratosféricos.

De acordo com a entidade, “Juros altos, vale destacar, estrangulam o crédito, a produção e a geração de empregos de qualidade. Essa decisão, infelizmente, compromete o crescimento econômico, dificultando o consumo e deixando, praticamente impossível, o crédito para ao menos favorecidos economicamente.”

Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) a decisão do Copom também foi equivocada. A manutenção da taxa nesse patamar posterga a descompressão necessária à atividade econômica, cujos indicadores recentes já evidenciam o baixo dinamismo industrial e a retração na confiança empresarial. “Com a estabilidade da Selic em nível fortemente contracionista, os encargos financeiros seguem elevados, inibindo tanto as decisões de investimento quanto a capacidade competitiva das empresas. Essa condição afeta, sobretudo, a indústria de transformação, que acumula queda de 0,1% no ano”, frisou.

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Caged: Brasil criou 121,3 mil postos de trabalho em setembro

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados na quarta-feira, apontam que 121,3 mil postos de trabalho com carteira assinada foram abertos em setembro. O indicador mede a diferença entre contratações e demissões.

O saldo é 24,7% maior em relação a agosto, quando o país criou 161 mil empregos.

A criação de empregos caiu 43,5% em comparação a setembro do ano passado, pressionada pelos juros altos e pela desaceleração da economia. No mesmo mês de 2025, tinham sido criados 214,6 mil postos de trabalho, nos dados com ajuste, que consideram declarações entregues em atraso pelos empregadores.

Em relação aos meses de setembro desde 2020, esse é o resultado mais baixo da série. A mudança da metodologia no Caged impede a comparação com anos anteriores a 2020.

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PEC da Segurança dá outra vitória à dobradinha Lula-Alcolumbre e isola o PL

Lula terminou a terça-feira (3) com mais uma vitória no Congresso. Poucos dias depois da promulgação da PEC da 6x1, o Senado aprovou, também em calendário especial, a PEC da Segurança Pública. Duas conquistas importantes para o governo em um intervalo curto, com um ingrediente em comum: a disposição de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. Depois de um período de afastamento, Lula e Alcolumbre mostraram que, se seguirem juntos, a nova bancada do PL poderá encontrar dificuldades para fazer a oposição que promete no ano que vem.

Se a aliança entre Lula e Alcolumbre continuar, o próximo ano poderá ser desafiador para o PL, mesmo com uma bancada numerosa de 28 senadores. Mas não se trata de uma relação fácil. Neste ano, Alcolumbre e Lula entraram em rota de colisão e ficaram meses sem se falar após Alcolumbre operar a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. O presidente do Senado defendia o nome do ex-senador Rodrigo Pacheco para a vaga.

Em Brasília, ninguém distribui apoio de graça. E Alcolumbre sabe cobrar. Entre os possíveis dividendos dessa reaproximação está justamente a indicação de Pacheco, hoje ministro do Tribunal de Contas da União, ao Supremo.

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Deputada eleita aos 21 anos, Ana Elisa relata três ameaças de morte por dia: ‘Escolta 24 horas’

Antes de conquistar 524.219 votos e uma cadeira na Câmara dos Deputados, Ana Elisa Santos Silva já discutia política, racismo, feminismo e direitos sociais nas redes. Aos 21 anos, a estudante de Direito, eleita pelo PT, foi a segunda mais votada de Minas Gerais para o cargo e a mulher com a maior votação da história mineira para a Câmara. Nascida em Divinópolis, estudou na rede pública e estagiou no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais.

Criada por uma mãe solo que era professora da rede pública, ela conheceu a política acompanhando a mãe no movimento sindical. Outra parte de sua formação vem do Reinado, tradição religiosa e cultural afro-brasileira que reúne devoção católica e ancestralidade africana. Sua família tem raízes em Oliveira, no interior mineiro, e ela participa das celebrações desde os 2 anos.

A eleição trouxe restrições à sua liberdade. Ana Elisa denunciou ameaças racistas e de violência sexual e, nesta conversa, realizada à distância por segurança, relata viver com escolta 24 horas por dia.

Desde 4 de outubro, recebo pelo menos três ameaças de morte por dia, além de ameaças de estupro, ataques racistas e outras formas de violência. Desde que fui eleita, ando com escolta 24 horas por dia.


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Democratas trucidam republicanos na maior derrota de Trump

O senador eleito James Talarico, em discurso após as eleições de meio de mandato — Foto: Brandon Bell/Getty Images via AFP

Os democratas trucidaram os republicanos nas eleições de meio de mandato. É a maior derrota de Donald Trump desde que entrou para a política. Maior até mesmo do que quando perdeu a Presidência para Joe Biden. Estados solidamente republicanos, como Texas, Carolina do Sul e até o Kansas, elegeram candidatos democratas, algo impensável poucos meses atrás. Nem o mais otimista dos democratas imaginaria uma vitória tão ampla como a desta terça-feira, com a conquista folgada da maioria no Senado e ficando próximos de repetir o feito na Câmara.


Guga Chacra _Colunista do Globo e comentarista de política internacional da Globonews.


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Juros futuros pressionados por mercado receoso após vitória de Lula

Em uma semana histórica no mercado financeiro, marcada por recordes negativos na Bolsa de Valores e no câmbio, o temor dos agentes também se refletiu diretamente nos juros futuros, que ficaram ainda mais pressionados após 25 de outubro. Já no dia seguinte às eleições que garantiram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um quarto mandato, as taxas DI (Depósito Interfinanceiro), que representam as médias dos juros praticados pelos bancos, subiram acima de 2% em determinados pontos da curva.

A curva de juros, como é chamada a variação das taxas DI pelo prazo de vencimento, registrou fortes altas durante a semana. Na última sexta-feira, elas encerraram o período de cinco dias pós-eleições com altas acumuladas de mais de 250 pontos-base em alguns vencimentos. Isso indica um aumento geral de toda a curva, causada principalmente pela preocupação do mercado com a trajetória fiscal nos próximos anos, após o presidente eleito ter feito uma série de promessas que elevariam as despesas do governo, já pressionadas no governo Lula 3, como novo reajuste do Bolsa Família e o perdão de dívidas para microempreendedores e outros segmentos.

Para o especialista Rafael Dadoorian, cofundador e head da mesa de renda fixa da Convexa Investimentos, o mercado busca entender como o governo pretende conciliar o crescimento dos gastos públicos com a necessidade de estabilizar a dívida. "Quando existe incerteza sobre essa trajetória, os investidores passam a exigir uma remuneração maior para financiar o governo, especialmente nos prazos mais longos", destaca.

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Posse em janeiro

Pela primeira vez, a posse da governadora e dos deputados distritais, assim como dos demais eleitos em outubro para o governo e assembleias legislativas, não ocorrerá no primeiro dia do ano, graças a uma mudança na lei. 

O presidente Lula assume o quarto mandato em 5 de janeiro e a governadora Celina Leão (PP), e os integrantes da Câmara Legislativa começarão a trabalhar em solenidade que ocorrerá em 6 de janeiro. 

Tempo suficiente para aproveitar as festas de Natal e a virada do ano.

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Campeã de votos em Minas

Aos 21 anos, a estudante de direito Ana Elisa (PT-MG) tem tudo para chegar à Câmara e se destacar. Ela conquistou 524.219 votos. Foi a mulher mais votada na história de Minas Gerais. 

No Instagram, conta com 6,2 milhões de seguidores e 1,6 milhão no Tik Tok. 

Terá um discurso forte em defesa das minorias. Tem tudo para protagonizar embates com os influenciadores da direita.

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Cenário pronto para embates na Câmara e nas redes sociais

Em meio à polarização nacional, a Câmara dos Deputados será palco de embates entre parlamentares que chegam com discurso contundente, intenção de polemizar e defender suas causas. Na esquerda, alguns se destacam: Fábio Félix (PSol-DF), Ana Elisa (PT-MG), André Janones (Rede-MG), Sâmia (PSol-SP), Jones Manoel (PSol-PE), Pedro Campos (PSB-PE), Renato Freitas (PT-PR), Freixo (PT-RJ), Guilherme Cortez (PSol-SP) e Tábata Amaral (PSB-SP). 

Só para citar alguns. Na direita, Thiago Manzoni (PL-DF), Nikolas Ferreira (PL-MG), Kim Kataguiri (Missão-SP), Lucas Pavanato (PL-SP), Marina Helena (Novo-SP), Guilherme Kilter (Novo-PR) e André Fernandes (PL-CE).

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Oposição trava disputa interna pelo comando do Senado em 2027

A disputa pela presidência do Senado Federal já movimenta os bastidores de Brasília. Parlamentares da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificaram as articulações para conquistar o comando da Casa a partir de 2027.

Entre os nomes colocados estão o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial derrotada de Flávio Bolsonaro (PL), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS). A movimentação ocorre enquanto o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), trabalha para ampliar sua base de apoio e garantir a permanência no cargo. 

A ofensiva da oposição, no entanto, esbarra na falta de consenso sobre quem deverá encabeçar a disputa. Marinho representa a ala mais diretamente ligada ao bolsonarismo e tenta converter o protagonismo adquirido durante a campanha presidencial em força política no Congresso. Tereza Cristina, por sua vez, surge como uma alternativa capaz de dialogar com setores da direita e do centro, especialmente entre parlamentares ligados ao agronegócio. 

Nos bastidores, a avaliação é de que a fragmentação das candidaturas pode favorecer Alcolumbre, que aposta na interlocução construída com diferentes bancadas para assegurar os votos necessários à recondução. O senador amapaense busca preservar alianças que ultrapassam a divisão entre governistas e oposicionistas, em uma disputa na qual os compromissos internos e a distribuição de espaços de poder tendem a pesar mais do que as posições partidárias.

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Reincidência na inadimplência tem recorde: 87,44% dos consumidores

Em setembro de 2026, o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), revelou o maior recorde no número de consumidores negativados que já havia figurado nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.

Dentro do universo de reincidentes de setembro, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano.

Um dado de atenção é o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências para os reincidentes: em setembro, esse período foi de 72,5 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence.

Os dados do indicador mostram que, nos últimos 12 meses encerrados em setembro de 2026, houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, aqueles que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes no período analisado. A comparação é com os 12 meses anteriores.

“O avanço contínuo da reincidência no cenário atual reflete um momento bastante sensível para a inadimplência da população brasileira, culminando em um verdadeiro recorde da série histórica. Embora iniciativas de incentivo e programas governamentais de renegociação, como o Desenrola, desempenhem um papel fundamental ao oferecer uma oportunidade real para o consumidor limpar seu nome e sair do vermelho, a dinâmica econômica e estrutural muitas vezes empurra esse mesmo indivíduo de volta ao ciclo de endividamento, evidenciando que a reestruturação financeira exige suporte contínuo para evitar novos episódios de restrição de crédito”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.

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Derrotada a família, é hora de derrotar a ditadura do ‘mercado’

Não foram os quase 4,5 milhões de votos de diferença, mas sim a retomada do protagonismo político que marcou a derrota da família Bolsonaro, gerada na ditadura. Ninguém deve se deixar iludir, porém, pela desmobilização da direita, ampliada pela fuga de Flávio e pelas 3 versões da nota em que se declarava o Guaidó brasileiro – recuo que teria sido provocado pela desautorização do governo Trump.

Se o presidente reeleito quiser consolidar a vitória das forças democráticas e progressistas, precisa derrotar a ditadura do “mercado”, esse ser invisível que se pretende onisciente e tenta impor uma política econômica contrária ao resultado das urnas.

É compreensível que o setor financeiro defenda seus interesses, assim como fazem outros setores. Não é aceitável que, com apoio da mídia tradicional e de analistas, façam essa defesa travestida de “bom-senso” e “política racional”. Como dizia um veterano jornalista investigativo, não confie em quem tem seu dinheiro em jogo.

Um debate franco sobre a condução da economia passa por definição de quais rumos o País pretende seguir; e essa decisão coube aos eleitores, que rejeitaram a tentativa de jogar a conta no colo dos 99%.

Lula se reelegeu defendendo as conquistas sociais e a redução das desigualdades. Aliás, até seu adversário que fugiu teve de se render a essa visão, mudando de opinião como… mudou de país.

Poucas vezes, desde o retorno do fascismo, um governo teve oportunidade tão clara para se consolidar. Se render à ditadura do “mercado” seria o atalho para volta da direita em 2030.

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Fuga de Flávio deixa vácuo na oposição

A derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seguida de sua saída do Brasil rumo aos Estados Unidos, abriu uma disputa pelo comando da oposição a partir de 2027. Com o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro distante do Congresso e às voltas com investigações, lideranças da direita já se movimentam para ocupar o espaço deixado pelo parlamentar. Nas articulações, três nomes ganham destaque: o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), também eleita ao Senado. A sucessão, porém, está longe de ser consensual.

O principal desafio será conciliar a influência política de Jair Bolsonaro sobre o eleitorado conservador com a necessidade de construir uma oposição capaz de ampliar sua interlocução para além do núcleo mais fiel ao ex-presidente. A fuga de Flávio, em meio às medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), acrescentou um novo componente à equação: o desgaste provocado pela decisão do candidato derrotado de deixar o país, enquanto seus aliados precisam reorganizar a atuação política em Brasília.

Entre os nomes cotados, membros da oposição apontam que Tarcísio reúne as melhores condições para assumir uma posição de liderança nacional. Governador do maior colégio eleitoral do país, o ex-ministro de Jair Bolsonaro mantém interlocução com setores empresariais, partidos de centro-direita e integrantes do bolsonarismo. Sua principal vantagem está na capacidade de transitar entre diferentes grupos políticos, sem depender exclusivamente da retórica de confronto com o Supremo. O movimento, contudo, exige cautela para não ser interpretado pelos aliados mais ideológicos como um rompimento com o antigo padrinho político.

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