Juros futuros pressionados por mercado receoso após vitória de Lula

Em uma semana histórica no mercado financeiro, marcada por recordes negativos na Bolsa de Valores e no câmbio, o temor dos agentes também se refletiu diretamente nos juros futuros, que ficaram ainda mais pressionados após 25 de outubro. Já no dia seguinte às eleições que garantiram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um quarto mandato, as taxas DI (Depósito Interfinanceiro), que representam as médias dos juros praticados pelos bancos, subiram acima de 2% em determinados pontos da curva.

A curva de juros, como é chamada a variação das taxas DI pelo prazo de vencimento, registrou fortes altas durante a semana. Na última sexta-feira, elas encerraram o período de cinco dias pós-eleições com altas acumuladas de mais de 250 pontos-base em alguns vencimentos. Isso indica um aumento geral de toda a curva, causada principalmente pela preocupação do mercado com a trajetória fiscal nos próximos anos, após o presidente eleito ter feito uma série de promessas que elevariam as despesas do governo, já pressionadas no governo Lula 3, como novo reajuste do Bolsa Família e o perdão de dívidas para microempreendedores e outros segmentos.

Para o especialista Rafael Dadoorian, cofundador e head da mesa de renda fixa da Convexa Investimentos, o mercado busca entender como o governo pretende conciliar o crescimento dos gastos públicos com a necessidade de estabilizar a dívida. "Quando existe incerteza sobre essa trajetória, os investidores passam a exigir uma remuneração maior para financiar o governo, especialmente nos prazos mais longos", destaca.

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Posse em janeiro

Pela primeira vez, a posse da governadora e dos deputados distritais, assim como dos demais eleitos em outubro para o governo e assembleias legislativas, não ocorrerá no primeiro dia do ano, graças a uma mudança na lei. 

O presidente Lula assume o quarto mandato em 5 de janeiro e a governadora Celina Leão (PP), e os integrantes da Câmara Legislativa começarão a trabalhar em solenidade que ocorrerá em 6 de janeiro. 

Tempo suficiente para aproveitar as festas de Natal e a virada do ano.

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Campeã de votos em Minas

Aos 21 anos, a estudante de direito Ana Elisa (PT-MG) tem tudo para chegar à Câmara e se destacar. Ela conquistou 524.219 votos. Foi a mulher mais votada na história de Minas Gerais. 

No Instagram, conta com 6,2 milhões de seguidores e 1,6 milhão no Tik Tok. 

Terá um discurso forte em defesa das minorias. Tem tudo para protagonizar embates com os influenciadores da direita.

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Cenário pronto para embates na Câmara e nas redes sociais

Em meio à polarização nacional, a Câmara dos Deputados será palco de embates entre parlamentares que chegam com discurso contundente, intenção de polemizar e defender suas causas. Na esquerda, alguns se destacam: Fábio Félix (PSol-DF), Ana Elisa (PT-MG), André Janones (Rede-MG), Sâmia (PSol-SP), Jones Manoel (PSol-PE), Pedro Campos (PSB-PE), Renato Freitas (PT-PR), Freixo (PT-RJ), Guilherme Cortez (PSol-SP) e Tábata Amaral (PSB-SP). 

Só para citar alguns. Na direita, Thiago Manzoni (PL-DF), Nikolas Ferreira (PL-MG), Kim Kataguiri (Missão-SP), Lucas Pavanato (PL-SP), Marina Helena (Novo-SP), Guilherme Kilter (Novo-PR) e André Fernandes (PL-CE).

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Oposição trava disputa interna pelo comando do Senado em 2027

A disputa pela presidência do Senado Federal já movimenta os bastidores de Brasília. Parlamentares da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificaram as articulações para conquistar o comando da Casa a partir de 2027.

Entre os nomes colocados estão o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial derrotada de Flávio Bolsonaro (PL), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS). A movimentação ocorre enquanto o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), trabalha para ampliar sua base de apoio e garantir a permanência no cargo. 

A ofensiva da oposição, no entanto, esbarra na falta de consenso sobre quem deverá encabeçar a disputa. Marinho representa a ala mais diretamente ligada ao bolsonarismo e tenta converter o protagonismo adquirido durante a campanha presidencial em força política no Congresso. Tereza Cristina, por sua vez, surge como uma alternativa capaz de dialogar com setores da direita e do centro, especialmente entre parlamentares ligados ao agronegócio. 

Nos bastidores, a avaliação é de que a fragmentação das candidaturas pode favorecer Alcolumbre, que aposta na interlocução construída com diferentes bancadas para assegurar os votos necessários à recondução. O senador amapaense busca preservar alianças que ultrapassam a divisão entre governistas e oposicionistas, em uma disputa na qual os compromissos internos e a distribuição de espaços de poder tendem a pesar mais do que as posições partidárias.

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Reincidência na inadimplência tem recorde: 87,44% dos consumidores

Em setembro de 2026, o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), revelou o maior recorde no número de consumidores negativados que já havia figurado nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.

Dentro do universo de reincidentes de setembro, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano.

Um dado de atenção é o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências para os reincidentes: em setembro, esse período foi de 72,5 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence.

Os dados do indicador mostram que, nos últimos 12 meses encerrados em setembro de 2026, houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, aqueles que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes no período analisado. A comparação é com os 12 meses anteriores.

“O avanço contínuo da reincidência no cenário atual reflete um momento bastante sensível para a inadimplência da população brasileira, culminando em um verdadeiro recorde da série histórica. Embora iniciativas de incentivo e programas governamentais de renegociação, como o Desenrola, desempenhem um papel fundamental ao oferecer uma oportunidade real para o consumidor limpar seu nome e sair do vermelho, a dinâmica econômica e estrutural muitas vezes empurra esse mesmo indivíduo de volta ao ciclo de endividamento, evidenciando que a reestruturação financeira exige suporte contínuo para evitar novos episódios de restrição de crédito”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.

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Derrotada a família, é hora de derrotar a ditadura do ‘mercado’

Não foram os quase 4,5 milhões de votos de diferença, mas sim a retomada do protagonismo político que marcou a derrota da família Bolsonaro, gerada na ditadura. Ninguém deve se deixar iludir, porém, pela desmobilização da direita, ampliada pela fuga de Flávio e pelas 3 versões da nota em que se declarava o Guaidó brasileiro – recuo que teria sido provocado pela desautorização do governo Trump.

Se o presidente reeleito quiser consolidar a vitória das forças democráticas e progressistas, precisa derrotar a ditadura do “mercado”, esse ser invisível que se pretende onisciente e tenta impor uma política econômica contrária ao resultado das urnas.

É compreensível que o setor financeiro defenda seus interesses, assim como fazem outros setores. Não é aceitável que, com apoio da mídia tradicional e de analistas, façam essa defesa travestida de “bom-senso” e “política racional”. Como dizia um veterano jornalista investigativo, não confie em quem tem seu dinheiro em jogo.

Um debate franco sobre a condução da economia passa por definição de quais rumos o País pretende seguir; e essa decisão coube aos eleitores, que rejeitaram a tentativa de jogar a conta no colo dos 99%.

Lula se reelegeu defendendo as conquistas sociais e a redução das desigualdades. Aliás, até seu adversário que fugiu teve de se render a essa visão, mudando de opinião como… mudou de país.

Poucas vezes, desde o retorno do fascismo, um governo teve oportunidade tão clara para se consolidar. Se render à ditadura do “mercado” seria o atalho para volta da direita em 2030.

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Fuga de Flávio deixa vácuo na oposição

A derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seguida de sua saída do Brasil rumo aos Estados Unidos, abriu uma disputa pelo comando da oposição a partir de 2027. Com o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro distante do Congresso e às voltas com investigações, lideranças da direita já se movimentam para ocupar o espaço deixado pelo parlamentar. Nas articulações, três nomes ganham destaque: o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), também eleita ao Senado. A sucessão, porém, está longe de ser consensual.

O principal desafio será conciliar a influência política de Jair Bolsonaro sobre o eleitorado conservador com a necessidade de construir uma oposição capaz de ampliar sua interlocução para além do núcleo mais fiel ao ex-presidente. A fuga de Flávio, em meio às medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), acrescentou um novo componente à equação: o desgaste provocado pela decisão do candidato derrotado de deixar o país, enquanto seus aliados precisam reorganizar a atuação política em Brasília.

Entre os nomes cotados, membros da oposição apontam que Tarcísio reúne as melhores condições para assumir uma posição de liderança nacional. Governador do maior colégio eleitoral do país, o ex-ministro de Jair Bolsonaro mantém interlocução com setores empresariais, partidos de centro-direita e integrantes do bolsonarismo. Sua principal vantagem está na capacidade de transitar entre diferentes grupos políticos, sem depender exclusivamente da retórica de confronto com o Supremo. O movimento, contudo, exige cautela para não ser interpretado pelos aliados mais ideológicos como um rompimento com o antigo padrinho político.

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Trump pressionado por fuga de Flávio

A participação do governo de Donald Trump na facilitação da fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após a derrota nas eleições presidenciais, provoca questionamentos no Congresso dos Estados Unidos e pressiona o chefe de Estado norte-americano.

Em carta encaminhada ao secretário de Estado, Marco Rubio, congressistas americanos exigiram explicações sobre a fuga de Flávio do Brasil com a participação de autoridades da Casa Branca. O parlamentar, derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições no domingo, estava proibido de deixar o país — conforme decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base em inquérito que investiga suposta lavagem de dinheiro do senador e do advogado Willer Tomaz.

O grupo norte-americano cobra prestação de contas imediata sobre o papel do Departamento de Estado na saída de Flávio do Brasil. O documento menciona informações publicadas pelo jornal The New York Times, segundo as quais o jatinho que levou o senador da Argentina para os Estados Unidos foi providenciado por Jason Miller, um dos principais conselheiros de Trump. Também ressalta que o parlamentar teria deixado o país após descumprir uma determinação judicial para entregar seus passaportes.

"O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo em entender se recursos diplomáticos e de imigração dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias", afirma um trecho do documento.

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Faria Lima vê Fonteles como um 'novo Palocci', mas sem os vícios de Palocci...

Gestores e banqueiros da Faria Lima que apostam em Rafael Fonteles como ministro da Fazenda do Lula 4 veem nele uma espécie de novo Antonio Palocci do PT. 

Ou seja, alguém que entende o funcionamento da economia de mercado, mas também é um político que saberá trafegar com habilidade pelo Congresso e em negociações difíceis. 

Mas, claro, sem os vícios que levaram Palocci à prisão e ao desterro da política.

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Gastança com juros cresce R$ 215 bilhões em 12 meses

O gasto com juros no acumulado em 12 meses até setembro alcançou R$ 1,2 trilhão (8,99% do PIB), um salto de R$ 215 bilhões ante os R$ 984,8 bilhões (7,86% do PIB) nos 12 meses até setembro de 2025. O dado foi divulgado pelo Banco Central.

Em setembro, isoladamente, o pagamento de juros nominais somou R$ 107,5 bilhões, ante R$ 84,7 bilhões em setembro de 2025. Contribuiu para esse aumento o resultado menos favorável das operações de swap cambial no período (ganho de R$ 13,4 bilhões em setembro de 2025 e de R$ 2,8 bilhões em setembro de 2026), além do crescimento do estoque da dívida e do IPCA.

Com essa gastança, o resultado nominal do setor público consolidado (Governo Central, governos regionais e empresas estatais) foi deficitário em R$ 113 bilhões em setembro. No acumulado em 12 meses, o déficit nominal alcançou R$ 1,275 trilhão (9,51% do PIB), praticamente estável em relação a agosto de 2026 (alta de 0,04 ponto percentual – pp – do PIB).

O resultado nominal inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados. O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, ante déficit de R$ 17,5 bilhões no mesmo mês de 2025.

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Juros custaram R$ 515,4 bilhões aos lares brasileiros no 1º semestre

As famílias brasileiras gastaram cerca de R$ 515,4 bilhões com o pagamento de juros no primeiro semestre de 2026 — altas de 9,8%, em relação ao mesmo período de 2025, e de quase 17%, na comparação com o primeiro semestre de 2024. Os dados são da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

De acordo com o levantamento, a parcela da renda comprometida com o pagamento de juros chegou a 14,64% nos primeiros seis meses do ano, enquanto a inadimplência avançou 20,3%, totalizando R$ 186,9 bilhões.

No total, os juros pagos por famílias e empresas somaram R$ 674 bilhões nos primeiros seis meses do ano, 7,4% acima do registrado no primeiro semestre de 2025. Já o estoque de valores em atraso há mais de 90 dias alcançou R$ 251,4 bilhões, alta de 17,7% em um ano. A deterioração das condições financeiras das pessoas físicas e jurídicas fica ainda mais evidente na comparação com 2024: o estoque de valores inadimplentes cresceu 39,4% em termos reais. Os juros, por sua vez, subiram 13%.

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Fla goleia Vasco com show de Pedro e Lino e abre vantagem rumo ao título

O Flamengo goleou o Vasco por 4 a 1 e abriu vantagem de três pontos na liderança do Brasileirão em relação ao Palmeiras

A vitória no clássico disputado no Nilton Santos teve Pedro e Samuel Lino como protagonistas. O camisa 9 marcou duas vezes e interrompeu uma seca de seis jogos sem marcar pelo Fla e um período de chanes claríssimas perdidas. Melhor em campo, Lino marcou os outros dois. Lescano fez o gol vascaíno.

Faltando cinco rodadas, o time de Leonardo Jardim chegou a 73 pontos, três a mais que o Palmeiras, que ficou em 70 porque empatou com o Santos ontem.

Outro ponto favorável ao Fla no momento é o número de vitórias: duas a mais que o Palmeiras. Isso faz com que o time — se sustentar essa diferença — chegue ao confronto direto mais adiante podendo até perder em São Paulo sem que isso resulte na perda do primeiro lugar. Mas antes de pegar o Palmeiras, o Flamengo tem o Grêmio como próximo compromisso, quarta que vem, no Maracanã.

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Bolsonarismo à deriva

Ao fugir do Brasil depois de perder a eleição, obter 59,8 milhões de votos e, logo depois, apresentar uma carta em que se auto entitula “presidente eleito”, o senador Flávio Bolsonaro tira mais um pouco do apoio ao movimento que seu pai começou a construir logo depois da eleição de 2014.  O bolsonarismo saiu fortalecido das urnas, nao pode ser ignorado, mas a fuga do candidato racha esse movimento é abre espaço a criação de líderes fora da família. 

Não são poucos os integrantes dos PL que, em conversas reservadas, criticam a viagem do senador, e aliados que, de público, rechaçam o teor da carta. Grande parte dos aliados esperava do senador um discurso na tribuna da Senado, com lançamento das bases a serem alinhadas para a oposição bolsonarista. Mas o candidato optou pela fuga, diante do pedido de apreensão do seu passaporte. E, na avaliação de muitos, Flávio não saiu do país por estar inconformado com o resultado e sim por causa  das investigações que pesam sobre ele, tanto relacionadas ao filme Dark Horse quanto aos negócios do advogado Willer Thomaz. 

Flávio foi escolhido candidato para não deixar o bolsonarismo fora da família. Ainda que perdesse, teria a missão de conservar essa liderança da direita nas mãos dos Bolsonaro. Porém, muitos acreditam ser difícil para o senador cumprir essa tarefa. Há quem diga que ele usa a derrota para construir uma narrativa que lhe permita escapar de responder por supostos delitos. E, sendo assim, há o risco de estreitar o bolsonarismo. Sua própria bancada — a maior, tanto na Câmara, quanto no Senado — se encontra dividida. Há os “snipers” do bolsonarismo-raiz e outro grupo que não compactua com o radicalismo já demonstrado pela família e que tem dúvidas sobre a lisura dos negócios do senador, investigado pela Polícia Federal. Entre esses últimos, há a certeza de que é preciso buscar novos líderes à direita, com capacidade de dialogar com todas as forças políticas. Ao fugir, Flávio demonstrou a muitos que não está preparado para ser este líder.  

Nos últimos dois dias, não foram poucos os aliados de Flávio que compararam o comportamento dele com o do presidente Lula, quando exposto a dificuldades. Investigado nos tempos da Lava Jato, Lula ficou no Brasil. E ao ter o pedido de prisão assinado pelo então juiz Sergio Moro, hoje governador eleito do Paraná nas hostes bolsonaristas, Lula foi para cima de um carro de som no ABC paulista e se entregou à PF. Ficou preso por quase dois anos. Ao sair da prisão, voltou à política e derrotou o então presidente Jair Bolsonaro, em 2022, por uma diferença ínfima de votos, depois de uma pandemia que matou 700 mil pessoas. Em 2022, Lula obteve 50,9% dos votos. Em 2026, contra Flávio, obteve 51,79%. 

Lula, não só derrotou Flávio, como ampliou a votação e mobilizou a juventude. Nessa eleição, aprendeu a usar as redes sociais. E tem quatro anos para preparar o sucessor, algo ainda em aberto. O PT, aos poucos está aprendendo que é preciso dar a vez a outros partidos. Fez isso para senador em São Paulo, o de mesmo derrotadas as duas candidatas tiveram uma boa performance. O bolsonarismo ainda nao aprendeu a sair do radicalismo familiar. Para 2030, se a direita quiser ter maiores chances de derrotar a esquerda, terá que caminhar para o centro, com um nome mais moderado. Até o presente capítulo, estão no páreo, pela direita, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e a senadora Tereza Cristina. A largada foi dada pela fuga de Flávio, que deixou o bolsonarismo sem leme. 


Denise Rothenburg


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Alcolumbre articula acordo para conter impeachment de ministros do STF e admite discutir indulto e anistia a Bolsonaro em busca da reeleição

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), avalia a possibilidade de negociar um acordo político que envolva conter a pressão por impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e discutir um eventual indulto ou então a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

O foco é o componente de sobrevivência política nessa movimentação: a tentativa de construir um acordo que viabilize sua reeleição à presidência do Senado. 

O indulto, ou seja, o perdão judicial, é competência do presidente da República, de acordo com a Constituição. Já a anistia depende do Congresso Nacional. 

A avaliação feita por esses interlocutores é que, caso Alcolumbre consiga uma aproximação com o grupo de Bolsonaro, sua situação na disputa pelo comando da Casa muda significativamente. 

Isso porque um entendimento com o bolsonarismo poderia dificultar a construção de uma candidatura alternativa, especialmente a de Rogerio Marinho (PL-RN) ou a da senadora Tereza Cristina (PP-MS), nomes considerados por uma ala da direita para a presidência do Senado. 

Na prática, Alcolumbre tentaria neutralizar a resistência do PL à sua permanência no cargo, oferecendo como contrapartida uma negociação em torno de duas pautas sensíveis para o bolsonarismo: a situação judicial de Jair Bolsonaro e a pressão contra ministros do Supremo.

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Carta golpista isola Flávio, que perde apoio até entre líderes da direita e enfraquece oposição bolsonarista a Lula

De possível vítima, como pretendia se vender, Flávio Bolsonaro (PL) virou um golpista ao divulgar uma carta se proclamando o verdadeiro presidente eleito do Brasil. 

Aliados do candidato derrotado não apoiaram sua decisão publicamente. Reservadamente, se mostraram decepcionados com a atitude do senador do PL e disseram que ele perde todas as condições de se transformar no líder da oposição, o que ele acabou colocando na versão final do documento que repercutiu muito mal no Brasil. 

De Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), passando por Rogério Marinho (PL) e chegando a partidos como União Brasil, PSD, PSDB e MDB, todos repudiaram a carta golpistas.

De Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), passando por Rogério Marinho (PL) e chegando a partidos como União Brasil, PSD, PSDB e MDB, todos repudiaram a carta golpista. 

Até entre evangélicos Flávio Bolsonaro não teve apoio. Líderes evangélicos não concordaram com o teor da carta golpista e disseram que o momento é de seguir em frente. 

Apoio mesmo, Flávio Bolsonaro só teve da bancada radical do PL na Câmara dos Deputados, que, apesar de numerosa, corre o risco de ficar isolada como o candidato derrotado.

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