Comunidades ribeirinhas no PA temem explosões para abrir hidrovia no Pedral do Lourenção; cientistas apontam riscos

O plano do governo federal para implantação da Hidrovia Araguaia-Tocantins, por meio do derrocamento (explosão de rochas) em um trecho de 35 quilômetros do Rio Tocantins, no sudeste do Pará, tornou-se o centro de uma disputa jurídica, científica e de infraestrutura na Amazônia

O trecho é conhecido como Pedral do Lourenção e fica entre a Vila Santa Terezinha do Tauiry, na cidade de Itupiranga, e a ilha do Bogéa, em Nova Ipixuna. A região é habitada por 23 comunidades ribeirinhas.

Orçada em quase R$ 1 bilhão, a obra do derrocamento do pedral integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) como responsável. O empreendimento recebeu Licença de Instalação do Ibama em maio de 2025, com uso de explosivos previsto para a partir de 2027 na região distante mais de 400 km de Belém. 

No entanto, cientistas do Museu Paraense Emílio Goeldi e o Ministério Público Federal (MPF) apontam lacunas técnicas nos estudos de impacto ambiental e alertam para riscos ecológicos e hidrológicos que vão de enchentes severas em centros urbanos ao soterramento de espécies de peixes comuns na região

Na outra ponta, as 23 comunidades ribeirinhas que vivem às margens do pedral se mobilizam para proteger a área, afirmando que a destruição das rochas inviabilizará a pesca artesanal, que é a base da economia tradicional local.

Vida que segue...


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