O governo Lula não morreu

Mordeu a língua quem decretou a morte política precoce do governo Lula após a dupla derrota, com a rejeição de Jorge Messias ao STF e a derrubada dos vetos ao PL da Dosimetria. Campanha política não é corrida de 100 metros. É uma maratona. E o corredor mais experiente do páreo, de longe, é Lula. Do alto dos seus 80 anos, três mandatos e seis disputas à Presidência da República, o petista mostrou ontem que não é um pato manco, muito menos um idoso em campanha. Recebeu de Trump o antídoto para as críticas bolsonaristas, ao ser descrito como o "dinâmico" presidente do Brasil.

"Cria no eleitorado em geral e na franja dos eleitores que não têm voto definido a ideia de que Lula é um estadista. É mais seguro seguir com ele do que com alguém desconhecido como Flávio Bolsonaro", afirma o cientista político Eduardo Grin.

O governo atuou também nas frentes econômica e política. Anunciou o Desenrola 2 para os endividados de baixa renda e aprovou o PL dos Minerais Críticos na Câmara. Enquanto isso, emissários de Lula, como o ministro da Defesa, José Múcio, e da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, procuraram Davi Alcolumbre para reconstruir pontes com o presidente do Senado, vital para a aprovação de projetos de interesse do Executivo.

A cereja do bolo da semana em que Lula ressuscitou - para aqueles que achavam que ele estava morto - foi a operação da PF contra o ex-ministro de Jair Bolsonaro e aliado da direita, senador Ciro Nogueira, do PP. Serve de aviso para outros nomes do centrão que são alvos em potencial das investigações. A derrota de Messias na semana passada teve como pano de fundo uma operação abafa contra as investigações do Master. A resposta veio ontem. PF, PGR e André Mendonça não se dobrarão às forças contrárias. E sequer precisam da delação de Daniel Vorcaro, de resto considerada fraca e inconsistente, segundo informações de bastidores dos investigadores. Flávio Bolsonaro tratou de se afastar de Ciro Nogueira em uma nota lacônica em apoio a André Mendonça e às investigações, mas sem citar o nome do aliado.

De resto, o quadro eleitoral é o mesmo. As pesquisas da pré-campanha divulgadas essa semana mostraram um cenário congelado e parelho. Uma semana da oposição, outra do governo. Seguiremos assim até o final, com o fôlego suspenso e muitas reviravoltas.

Vida que segue...


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