Brasil merece um segundo turno

Fugindo dos debates, Lula e Flávio Bolsonaro atravessaram o primeiro turno embaralhando crises. Os demais candidatos viraram cartas fora do baralho. Submetido à escassez de ideias, o pedaço não alinhado do eleitorado saiu do pôquer. Refugiou-se no marasmo.

Escorados na pujança de suas torcidas organizadas, os favoritos dizem confiar que a fatura será liquidada à vista, sem segunda prestação. Convém torcer para que estejam errados. No Datafolha de quinta-feira, Lula e o filho de Bolsonaro aparecem novamente em empate técnico. Os números da pesquisa sugerem um segundo turno. Mas os dados não permitem tratá-lo como inevitável.

Esticando-se a campanha para a segunda etapa, os favoritos teriam 21 dias para abrir suas cartas. A exposição à controvérsia franca é sempre salutar numa democracia. Mais ainda quando um dos postulantes ao Planalto representa um bloco político cujo líder cumpre pena de prisão por conspirar contra a própria democracia.

Ficou difícil contestar a sério a utilidade do segundo turno. A concessão de uma vitória antecipada corresponderia a entregar uma carta branca a um dos candidatos. E todos sabem — ou deveriam saber — que, em política, as cartas nada têm de brancas.

Vida que segue...


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