Reincidência na inadimplência tem recorde: 87,44% dos consumidores

Em setembro de 2026, o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), revelou o maior recorde no número de consumidores negativados que já havia figurado nas listas de inadimplentes. Em setembro de 2026, do total de negativações, 87,44% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.

Dentro do universo de reincidentes de setembro, a maior parte, 67,05%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 20,38% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 12,56% dos negativados em setembro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano.

Um dado de atenção é o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências para os reincidentes: em setembro, esse período foi de 72,5 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence.

Os dados do indicador mostram que, nos últimos 12 meses encerrados em setembro de 2026, houve um crescimento de 18,28% no número de devedores reincidentes, aqueles que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes no período analisado. A comparação é com os 12 meses anteriores.

“O avanço contínuo da reincidência no cenário atual reflete um momento bastante sensível para a inadimplência da população brasileira, culminando em um verdadeiro recorde da série histórica. Embora iniciativas de incentivo e programas governamentais de renegociação, como o Desenrola, desempenhem um papel fundamental ao oferecer uma oportunidade real para o consumidor limpar seu nome e sair do vermelho, a dinâmica econômica e estrutural muitas vezes empurra esse mesmo indivíduo de volta ao ciclo de endividamento, evidenciando que a reestruturação financeira exige suporte contínuo para evitar novos episódios de restrição de crédito”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.

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Derrotada a família, é hora de derrotar a ditadura do ‘mercado’

Não foram os quase 4,5 milhões de votos de diferença, mas sim a retomada do protagonismo político que marcou a derrota da família Bolsonaro, gerada na ditadura. Ninguém deve se deixar iludir, porém, pela desmobilização da direita, ampliada pela fuga de Flávio e pelas 3 versões da nota em que se declarava o Guaidó brasileiro – recuo que teria sido provocado pela desautorização do governo Trump.

Se o presidente reeleito quiser consolidar a vitória das forças democráticas e progressistas, precisa derrotar a ditadura do “mercado”, esse ser invisível que se pretende onisciente e tenta impor uma política econômica contrária ao resultado das urnas.

É compreensível que o setor financeiro defenda seus interesses, assim como fazem outros setores. Não é aceitável que, com apoio da mídia tradicional e de analistas, façam essa defesa travestida de “bom-senso” e “política racional”. Como dizia um veterano jornalista investigativo, não confie em quem tem seu dinheiro em jogo.

Um debate franco sobre a condução da economia passa por definição de quais rumos o País pretende seguir; e essa decisão coube aos eleitores, que rejeitaram a tentativa de jogar a conta no colo dos 99%.

Lula se reelegeu defendendo as conquistas sociais e a redução das desigualdades. Aliás, até seu adversário que fugiu teve de se render a essa visão, mudando de opinião como… mudou de país.

Poucas vezes, desde o retorno do fascismo, um governo teve oportunidade tão clara para se consolidar. Se render à ditadura do “mercado” seria o atalho para volta da direita em 2030.

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Fuga de Flávio deixa vácuo na oposição

A derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seguida de sua saída do Brasil rumo aos Estados Unidos, abriu uma disputa pelo comando da oposição a partir de 2027. Com o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro distante do Congresso e às voltas com investigações, lideranças da direita já se movimentam para ocupar o espaço deixado pelo parlamentar. Nas articulações, três nomes ganham destaque: o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), também eleita ao Senado. A sucessão, porém, está longe de ser consensual.

O principal desafio será conciliar a influência política de Jair Bolsonaro sobre o eleitorado conservador com a necessidade de construir uma oposição capaz de ampliar sua interlocução para além do núcleo mais fiel ao ex-presidente. A fuga de Flávio, em meio às medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), acrescentou um novo componente à equação: o desgaste provocado pela decisão do candidato derrotado de deixar o país, enquanto seus aliados precisam reorganizar a atuação política em Brasília.

Entre os nomes cotados, membros da oposição apontam que Tarcísio reúne as melhores condições para assumir uma posição de liderança nacional. Governador do maior colégio eleitoral do país, o ex-ministro de Jair Bolsonaro mantém interlocução com setores empresariais, partidos de centro-direita e integrantes do bolsonarismo. Sua principal vantagem está na capacidade de transitar entre diferentes grupos políticos, sem depender exclusivamente da retórica de confronto com o Supremo. O movimento, contudo, exige cautela para não ser interpretado pelos aliados mais ideológicos como um rompimento com o antigo padrinho político.

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