Incerteza no mercado de trabalho e inadimplência reduzem consumo

 

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada nesta quinta-feira, recuou 0,6% em agosto, na comparação dessazonalizada com julho, atingindo 104,9 pontos. A retração do indicador foi liderada pela forte deterioração da percepção sobre o futuro do mercado de trabalho: o componente de perspectiva profissional teve o maior recuo do mês (-1,9%) e registrou uma expressiva baixa de 9,9% frente ao mesmo período do ano passado.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, analisa o contexto de aperto monetário causado pela alta taxa Selic e os efeitos transversais dos dois lados do balcão.

O comportamento mais cauteloso das famílias ocorre em meio a um ambiente financeiro pressionado. O avanço da inadimplência entre empresas gera ruídos em toda a atividade econômica e afeta também a confiança dos trabalhadores ao ameaçar a estabilidade de suas ocupações”, diz.

Esse cenário consolida uma ambivalência na percepção sobre o trabalho. Embora a avaliação do Emprego Atual tenha registrado leve ganho de 0,1% no mês, sustentando a maior pontuação da pesquisa (127,7 pontos), a apreensão em relação aos meses seguintes prevalece. A percepção de fragilidade na saúde financeira das empresas faz com que o consumidor adote uma postura de prevenção, segurando decisões de gasto.

Vida que segue...

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