A blusinha virou cabo eleitoral

Chamaram de "taxa das blusinhas", mas a tal blusinha pode ser um tênis, um relógio, um celular, um cosmético, um utensílio doméstico ou qualquer produto comprado no exterior. Um tributo sobre pequenas importações ganhou um nome simpático, fácil de lembrar. "Imposto de Importação sobre remessas internacionais de pequeno valor" seria sério demais; "taxa das blusinhas" cabe perfeitamente em um palanque ou nas redes sociais. A cobrança de 20% para compras de até US$ 50 entrou em vigor em agosto de 2024, no Programa Remessa Conforme.

Agora a história ganhou outra dimensão. Em maio deste ano, o governo editou a Medida Provisória nº 1.357/2026, zerando o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50. A medida depende do Congresso para se tornar permanente. E foi aí que a inocente blusinha descobriu uma nova profissão: virou cabo eleitoral. "Eu fui contra a taxa das blusinhas!" "Eu votei para acabar com a taxa das blusinhas!" "Eu defendo o consumidor e quero a blusinha sem imposto!" São frases simples e compreensíveis. O calendário também ajuda: a propaganda eleitoral começou em 16 de agosto, quando o Congresso se prepara para analisar a medida. Se a MP não for aprovada, a cobrança poderá voltar, talvez perto do primeiro turno. Temos os ingredientes de uma boa novela eleitoral: imposto, consumidor, Congresso, indústria e votos. A blusinha pede registro de candidatura.

Vida que segue...


Siga o blog pelo insta professor_aldery

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Popular Posts