Assim como Carla, outras mulheres heterossexuais também têm optado por passar um tempo em celibato como uma espécie de detox dos efeitos emocionais de um relacionamento frustrado com homens. Nas redes sociais, esse movimento ganhou o nome de “boy sober” (sobriedade de homem, em tradução livre), e defende que a abstinência do amor romântico ajuda a direcionar melhor energia e mais foco para outros setores da vida.
Como fica, então, a libido durante esse tempo sabático? Sem sexo há quatro meses, Carla lida com seus desejos na masturbação: “Posso ser criativa e incrementar com muitas fantasias. Faço todo dia, sempre que tenho vontade”, conta a cearense, que descobriu novos prazeres ao longo do processo: “Gosto muito de sair sozinha, colocar uma roupa legal e me sentir bonita. Isso estimula minha sexualidade igualmente.”
A psicanalista e escritora Regina Navarro Lins analisa o movimento feminino de celibato como mais um efeito de uma época marcada pela transição de valores, em que as mulheres se tornam cada vez mais autônomas. “Historicamente, fomos moldadas para atender e nos ajustar às exigências dos homens. Agora, estamos nos libertando dessa falsa obrigação de ter ao lado um marido ou um namorado. Não precisamos disso para sermos plenamente felizes”, afirma.