Alcolumbre já não sente em Lula o aroma de poder que o excitava

 Davi Alcolumbre prometia nos bastidores proporcionar a Lula um "dia histórico". Conseguiu. Ao articular a derrubada da indicação do advogado-geral Jorge Messias ao Supremo, empurrou para dentro da biografia do pajé do PT um vexame que não se via desde Floriano Peixoto, há 132 anos. Os aliados empilham justificativas para o comportamento de Alcolumbre. Mas a lista de motivos exclui o essencial: o chefe do Senado já não sente em Lula o aroma de poder que o excitava.

A popularidade de Lula no vermelho e o empate com Flávio Bolsonaro nas sondagens de segundo turno reforçaram em Alcolumbre e nos oligarcas do centrão a percepção de que Lula já não reflete força e confiança. Pior: deixou de ser a perspectiva favorita de poder.

Até outro dia, Alcolumbre ajudava Lula a retirar gênios da garrafa. Passou a enfiá-los gargalo abaixo desde que Rodrigo Pacheco, seu preferido para o Supremo, foi preterido por Lula. Intensificou o movimento depois que a Polícia Federal varejou o Instituto de Previdência do Amapá, um de seus redutos, à procura de encrencas do falecido Banco Master.

Pragmático, o chefão do Senado só se mexe após realizar minuciosas avaliações do tipo custo-benefício. Se imaginasse que Lula ainda poderia lhe proporcionar mais lucros do que prejuízos, Alcolumbre teria recuado na última hora, como costuma fazer. Engarrafou Jorge Messias e o veto presidencial ao projeto da dosimetria por avaliar que Lula perdeu a vocação para Aladin.

O mar não está para peixe, assim como as pesquisas não estão para Lula. Eleição não se ganha de véspera. Muito menos com quase seis meses de antecedência. Mas Lula ganhou um desafio adicional: a restauração dos signos do Poder. Ou mostra que está vivo ou começará a receber água quente e café frio do garçom do Planalto.

Jozias de Souza


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