O segundo mandato de Donald Trump rapidamente se revela como uma das presidências de maiores consequências das últimas décadas para os Estados Unidos e o mundo. A operação militar espetacular na Venezuela - em que o ditador que comandava o país há mais de uma década foi retirado de seu quartel-general em poucas horas e levado a Nova Iorque, onde será julgado — é o marco de uma nova era.
"Voltamos ao imperialismo das grandes potências, do fim do século 19. Cada gigante em sua área de influência", resume Guilherme Casarões, cientista político e professor da Florida International.
Certamente não estamos falando de um mundo mais seguro. A ação americana na Venezuela é o sinal verde para Putin avançar sobre a Ucrânia, e talvez a Europa, testando o escudo da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que funcionou tão bem para proteger o continente no pós-guerra. E a justificativa perfeita para a China anexar Taiwan. Os exercícios militares no final do ano ao redor da ilha que o gigante asiático considera uma província rebelde já denunciam as pretensões imperialistas. Segundo essa visão, teremos o mundo dividido em pelo menos três áreas de influência: Estados Unidos, Rússia e China.
Donald Trump, por outro lado, não vê nenhum problema em rasgar a fantasia do autocrata em formação, muito mais parecido com os líderes que tanto respeita, como Vladimir Putin e Xi Jinping, do que com os aliados europeus. Em nenhum momento, o americano falou em restaurar a democracia venezuelana. Pelo contrário, concentrou-se em defender a devolução do petróleo que havia sido "roubado" dos Estados Unidos, quando nos anos 2000 o governo chavista estatizou áreas exploradas por petrolíferas americanas.
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