No seu, estão Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Dias Toffoli e, mais discretamente, Cristiano Zanin. Os demais se dividem em dois grupos que foram alvo de ataques de Gilmar. Ao presidente, Edson Fachin, e a Cármen Lúcia, ele atribui o desgaste de imagem do STF, pela insistência em agendas como o código de conduta do Judiciário. O maior incômodo, no entanto, parece recair sobre André Mendonça, que claramente vem ganhando protagonismo no Supremo com relatorias de casos espinhosos e de alto impacto político, como o Master e o da máfia do INSS.
O fato de Mendonça ter aglutinado maioria na Segunda Turma parece não ter sido bem digerido pelo decano, e o antagonismo agora foi explicitado em rede nacional. A declaração mais explosiva de Gilmar foi quanto aos “erros crassos” que atribuiu ao colega na condução do caso Master. Ele acusou Mendonça de ter tentado interferir nos termos da negociação de delação premiada de Daniel Vorcaro e chegou a insinuar que ela poderia suscitar seu impedimento de continuar à frente do inquérito.
O mais difícil de conter é a guerra declarada no STF. Os anos de protagonismo do tribunal em defesa da democracia acabaram por gerar a hegemonia do bloco Moraes-Gilmar, que não mais subsiste. O caso Master fragilizou justamente integrantes dessa ala, e essa parece ser uma das razões por que o decano se levanta e critica publicamente a atuação de um colega que, há até alguns meses, era próximo a ele.
Chama a atenção a tibieza de Fachin em se impor diante de constantes e cada vez mais ácidas contestações públicas a sua condução à frente do tribunal. Fingir que não leu, não viu ou não escutou as admoestações e se manifestar sempre em tom olímpico em bancas de universidades e simpósios não parece ser uma forma adequada de responder, para dentro e para fora, a uma crise que, não de hoje, vai comprometendo em vários níveis a imagem do Judiciário.
Vida que segue...
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