José Serra, 80, foi o único com coragem para peitar o pacotão de Bolsonaro

 

Os historiadores do futuro deverão lembrar que na noite da vergonha de 30 de junho de 2022, em que o Senado Federal aprovou quase por unanimidade a bomba fiscal do "pacotão do desespero" do presidente Jair Bolsonaro, unindo governo e oposição, uma única voz se levantou contra o estelionato eleitoral praticado a três meses da abertura das urnas, decretando para isso até estado de emergência nacional. 

O quase fica por conta do senador paulistano José Serra, 80 anos, que andava sumido da cena política, por conta de sérios problemas de saúde.

Na véspera, ele havia perguntado pelo Twitter: "Há apenas poucas semanas, o Senado descobriu que pobres passam fome e que esperam na fila dos benefícios?" 

Não teve resposta, porque ninguém ali, no governo e no parlamento, estava preocupado com a fome de 33 milhões de brasileiros, mas com os votos dos pobres que vão mais uma vez decidir a eleição _ não pelo seu poder político, que é nenhum na fila do pão, mas por serem muitos, cada vez mais miseráveis, um terço da população sobrevivendo com até R$ 439 por mês, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas.

Quem vai ser louco a essa altura do campeonato de votar contra medidas que irão beneficiar imediatamente milhões de eleitores?, perguntavam-se pelos corredores os senadores da oposição votando em peso no pacotão do governo que implodiu o sagrado teto de gastos de Paulo Guedes. 

O único louco que apareceu foi ele, José Serra, que deu a resposta aos colegas ao justificar seu voto solitário contra essa bandalheira inconstitucional:

Serra falou para as paredes: "Além disso, a perda de credibilidade fiscal vai estimular a inflação, juros mais elevados e reduzir os investimentos para a geração de emprego e renda, que é a mais importante política de combate à pobreza de que dispomos".


Balaio do Kotscho 

BALAIO DO KOTSCHO

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