Declarado morto por bolsonaristas, Lula melhora a aprovação

Eleição não se ganha de véspera, mas houve quem gozasse precocemente a morte do governo Lula, quando o seu indicado, Jorge Messias, foi gongado pelo Senado Federal na tentativa de ser alçado ao STF. O quadro vendido era como se o Godzilla tivesse destruído o Palácio do Planalto como se Thanos erradicasse metade do PT, como se Freeza espancasse o presidente. Mas poucos se lembraram da máxima da grande filósofa Laerte: calma, gente. E, agora, a pesquisa Genial/Quaest aponta que o saldo negativo entre aprovação e desaprovação saiu de nove para três pontos em um mês.

Ou seja, o governo morreu, mas está melhor.

Apesar de Lula e Flávio Bolsonaro permanecerem tecnicamente empatados, Lula voltou a ultrapassá-lo numericamente. No último mês, aumentaram as notícias positivas e despencaram as negativas com relação ao governo. Além disso, 72% acham que o Desenrola 2 ajuda de alguma forma os endividados, e partiu de 17% para 21% o total que sentiu mais dinheiro no bolso com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5.000 cascalhos por mês.

Não há mágica nisso. Lula está cavalgando a máquina, tal como fez seu antecessor na busca por reeleição. O governo tenta recompor a perda eleitoral entre as classes C, D e E com um conjunto de sinalizações que miram diretamente esses grupos.

Ontem, ele editou uma Medida Provisória eliminando a "taxa das blusinhas", aqueles 20% sobre compras do exterior de até 50 doletas. Medidas para garantir crédito a motoristas de plataformas, categoria que não morre de amores por Lula, também entram no cálculo. Essas duas podem ser sentidas a partir da próxima pesquisa. E a pauta do fim da escala 6x1, ainda em debate, mas que será aprovada, toca numa ferida aberta de quem trabalha no varejo, nos serviços, na agricultura — exatamente o público que Lula precisa reconquistar.

O recado das pesquisas, portanto, é duplo: o governo não morreu, mas também não foi aos céus. Está, por ora, sendo avaliado pelos eleitores, vivo o suficiente para incomodar a oposição, mas em uma posição que não permite comemorar. Com cinco meses pela frente e medidas de impacto direto no bolso ainda por serem sentidas, decretar qualquer vencedor agora é repetir o mesmo erro daqueles que cantaram vitória cedo demais no velório.


Sakamoto


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