Dois discursos para dois públicos

O governo brasileiro trata de separar as estações políticas interna e externa, ao lidar com a decisão dos Estados Unidos de classificar as organizações criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas. Da parte institucional, a ordem é não criar uma crise diplomática nem brigar com os norte-americanos. Na questão interna, é procurar mostrar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desprezou a soberania do país ao apoiar essa decisão, que o governo americano pensava em tomar antes mesmo da visita do parlamentar à Casa Branca. Tal e qual fez na questão das tarifas, o governo pretende manter o diálogo aberto com o governo Trump.

Esse comportamento da parte do presidente brasileiro é uma estratégia para evitar qualquer leitura de que o seu governo defende bandido. Afinal, se tem algo que o país não aguenta mais são áreas controladas por essas organizações e também por milicianos — algo que muitos governos tentaram e nenhum conseguiu eliminar, tampouco os quatro anos do presidente Jair Bolsonaro conseguiram combater.


Texto por Denise Rothenburg publicado no sábado (30/5)


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